Mulheres buscam o Jiu Jitsu como defesa pessoal.

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, até o mês de agosto, 82 casos de estupros foram registrados em Rio Preto. Em menos de um mês, mais de cinco mulheres, entre elas uma criança, foram vítimas desse crime bárbaro na cidade. Em meio a essa recente onda de violência contra a mulher, uma arte marcial, que curiosamente era conhecida como violenta, vem ganhando espaço entre elas para, justamente, combater a violência.

Popular no Japão e aperfeiçoado no Brasil, o jiu-jitsu se tornou uma importante “arma” de defesa pessoal para a mulher. Em Rio Preto, na Academia Team Nogueira, o professor de jiu-jitsu, Marcelo Roberto Buzeto, 46 anos, faixa preta há 12 anos, que têm 10 alunas em suas aulas, diz que cerca de 50% das mulheres que procuram o jiu-jitsu é por conta da defesa pessoal. O professor explica os benefícios que a mulher pode ter ao praticar a arte marcial.

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Ana Carolina mostra como escapar em uma situação de risco, quando ataque é feito em pé

“O jiu-jitsu traz muitos benefícios a mulher, principalmente a defesa pessoal. Em casos de estupros, o oponente tenta estuprar e a pessoa que sofrer o ataque vai receber de costas para o chão. Nessa situação ela tem várias situações para mobilizar o agressor, dando chave de braço, estrangulamento, usando a própria camiseta do agressor para estrangulá-lo, além de muitas outras posições que ela pode desenvolver a partir disso para se defender. Tanto em pé, quanto no chão, de costas para o chão, ela pode se defender”, afirma o professor.

“Não vou dizer que ela consegue se defender de um agressor armado com faca, revolver, porque fica complicado. O melhor nesses casos é não reagir, não tem defesa, porque é perigoso, mas se o agressor estiver desarmado e tentar derrubar ao chão, e na base da força tentar o estupro, a mulher terá várias posições para pegar ele e imobilizá-lo, ou até mesmo estrangular, ou até provocar o desmaio”, conclui.

Outra dúvida frequente das mulheres que vão iniciar no jiu-jitsu é questão da força do agressor. Marcelo diz que a arte marcial foi feita justamente para isso. “O jiu-jitsu foi feito para os fracos se sobressaírem sobre os fortes. Os movimentos feitos em alavancas, nas articulações, não precisam ser forte, basta a técnica. A mulher precisa participar dos treinamentos. A partir do momento que ela treinar e colocar em prática, na hora que ela precisar vai sair automático, natural. Ela estará pronta para a autodefesa”, finaliza o professor.

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Pra quem ainda tem dúvida se o jiu-jitsu realmente funciona como autodefesa, Ana Carolina Cazari, 36 anos, mãe de dois filhos, que não fazia nenhuma atividade física, pratica há três anos e meio a arte marcial. “Tive muita dificuldade no começo, mas o jiu-jitsu me abriu outras portas. Comecei a treinar muay thai, funcional, cross combate, boxe e só me trouxe benefícios. Comecei a cuidar da minha alimentação e melhorou muito minha autoestima e minha segurança”, afirma.

Treinando três vezes por semana, Ana Carolina reafirma as palavras do professor Marcelo e acredita que com esforço, qualquer iniciante em três meses pode aprender a se defender. “Se ela se dedicar, em dois ou três meses dá pra fazer muita coisa. Pra eu me sentir segura precisei de um mês, às vezes pode ser mais tempo, porque depende de cada um, mas eu, no primeiro mês, já tinha muito mais segurança. Acho que a segurança já começa quando você pisa no tatame. É muito disciplina”, diz.

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Imobilização é uma das mais variadas formas de neutralizar o agressor com o jiu-jitsu

Sobre os recentes ataques sofridos pelas vítimas em Rio Preto, Ana Carolina explica que manter uma postura firme pode ajudar. “Claro que a gente não conhece quem vai atacar, mas sempre mantive minha postura, principalmente depois de começar a treinar. Ando muito atenta na rua, não abaixo a cabeça e encaro. Não deixo achar que estou com medo e sempre mantenho minha postura. Olho no olho mesmo”, orienta.

“A gente vê vários casos de estupros, mas também tem aquela questão de você passar em algum lugar e tem sempre alguém que mexe de forma deselegante. Sempre eu me chateava muito com isso, passava, abaixa a cabeça e ficava quieta. Depois, com essa segurança eu consigo ter mais postura”, concluiu ela, que finaliza indicando o jiu-jitsu para as iniciantes.

“Tem até uma turma de iniciantes que as meninas vão aprendendo juntas e te da muito autoconfiança. Sua autoestima aumenta, porque seu corpo muda muito. Não só na questão de perder peso, mas na definição e uma coisa vai puxando a outra. Você vai se alimentando melhor, busca fazer um pré-treino melhor. E na questão da segurança, principalmente hoje em dia, no que a gente está vendo, vários casos de estupros e agressões contra mulheres, acho que o jiu-jitsu é sensacional”, encerra.

Por Marcelo Schaffauser